Nesta cidade cinta uma solidão inexplicável…. Por muito que esteja rodeada de pessoas, por muito que haja onde ir, visitar e conhecer, sinto-me completamente só e desamparada. Ao ponto, para cúmulo de ficar com lágrimas nos olhos por ouvir um grupo qualquer num shopping tocar concertinas e cantar “Sou do Minho, sou do Minho, de Viana natural”.
Todas as semanas, ao sair de casa e entrar no autocarro sinto o coração ficar cada vez mais apertado. A cada quilómetro que me afasto parece que se torna cada vez mais pequeno, cada vez mais apertado. E assim tem ficado até à hora em que no horrizonte começo a ver os pontos de luz que me são tão familiares, que me fazem sentir na minha cidade, na minha casa.
Já passaram mais de 6 meses e, ao contrário do que alguma vez pensei, esta sensação de coração apertado não tem diminuído, mantém-se a mesma ou maior do que no primeiro mês.
Dizem-me que esta experiência me fez bem, que precisava sair de “debaixo da saia da mãe”… e eu sei que sim, concordo com algumas coisas… Mas por muito que me digam que é uma boa experiência, não deixa de me fazer sentir de coração apertado.
Porque para mim, o que me faz realmente falta é entrar numa casa que sinto como minha, olhar pela janela do meu quarto e sentir-me rodeada por uma paisagem que me é familiar, mais calma do que as barulhentas ruas e céu de Lisboa…
O que me faz sentir bem é entrar numa casa, onde ouço vozes de outras pessoas, da minha família.
Por muito que haja dias em que gostava de estar numa casa sossegada, são mais os dias em que preferia entrar numa casa cheia de gente, de barulho, de gargalhadas do meu pequeno, dos gritos de discussão dos mais novos ou do barafustar de alguém por não saber de alguma coisa sua, que provavelmente os mais novos pegaram.
Isto sim, eu sinto como o meu lar.
O meu lar não é a casa onde passo os 5 dias da semana entre casa e o trabalho.
O meu lar é este:
…numa cidade mais pequena mas bem reconfortante e bonita
…numa aldeia com mais vida do que algumas cidades
…numa casa sempre com gente e barulho, onde nem sempre posso estar sossegada ou fazer aquilo que bem me apetecia, acabando muitas vezes a televisão ficar por conta do “meu pequeno”, a sala desarrumada com os seus brinquedos, as coisas da minha prima espalhadas pela casa, uma mesa com, pelo menos, 4 pessoas e um quarto que não é apenas meu…

Isto faz-me lembrar que fez 6 meses que trabalho anteontem... Não sei como passou o tempo tão depressa porque ainda parece que foi ontem que comecei! Mas sinto-me crescer em todos os sentidos e isso faz-me bastante feliz.
ResponderEliminarVenha Outubro e vai ser tudo quase perfeito :P
Tenta pensar mais nas coisas boas e menos nas más, à tanta gente que gostava de ter um emprego! ;)
Pois... são mesmo as coisas boas que me fazem entrar no autocarro todas as semanas...
ResponderEliminar(estou a imaginar que te decidiste mesmo a voltar a pegar nos livros :P)
Imagina antes que vou ter pessoa nova a ocupar o quarto ao lado do meu :P
ResponderEliminarRealmente... isso sim torna tudo quase perfeito :P
ResponderEliminar***Bjo