quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Porque hoje...





... atravessei o rio de barco, de cabelo ao vento....













... e tive uma sensação de leveza e liberdade que já não sentia há muito tempo!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

...cada um traz um horizonte que é o seu

Hoje estive de volta às visitas domiciliárias...



Nestes dias vejo coisas que me espantam pela positiva, outras pela negativa... Uma coisa que me espanta é a forma como as pessoas nos vão abrindo passo a passo, visita a visita, as suas casas e as suas vidas.


Hoje foi um dos dias em que me espantei pela positiva e pela negativa de uma casa para outra...

Na primeira casa onde entrei hoje, onde costumava ver um marido ansioso e preocupado pela nossa visita à mulher, descobri que, afinal, o motivo de tanta preocupação não é a mulher que está acamada e tem uma ferida no pé, mas sim, o facto de estar a deixar à espera a amante! Descobri, que sempre que demoramos mais e chegamos perto da hora de almoço, o marido passa a manhã a reclamar com a mulher porque a culpa do atraso dele para ir ter com a outra é dela!



Na casa seguinte, encontrei um casal, o marido acamado, com uma úlcera de pressão em cada trocanter, mais uma a iniciar na orelha e a mulher de canadianas, com dificuldade em se mobilizar. E enquanto fazia o tratamento à ulcera de pressão do utente, a mulher não lhe largou a mão um único segundo e ia-lhe dizendo que a dor já ia melhorar, que lhe tinha feito a sopa como ele gosta e continuava a apertar-lhe a mão e a fazer-lhe carícias mesmo deitada pelo lado oposto da cama com dificuldade para conseguir estar próximo do marido! 









Há em cada olhar
A vaga certeza do mesmo rio ao fundo
Mas por dentro do peito
Cada um traz um horizonte que é o seu

Mafalda Veiga - Os dias

domingo, 19 de setembro de 2010

Um pouco de céu...

"Só hoje senti
Que o rumo a seguir
Levava pra longe
Senti que este chão
Já não tinha espaço
Pra tudo o que foge
Não sei o motivo pra ir
Só sei que não posso ficar
Não sei o que vem a seguir
Mas quero procurar


E hoje deixei
De tentar erguer
Os planos de sempre
Aqueles que são
Pra outro amanhã
Que há-de ser diferente
Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu


Só hoje esperei
Já sem desespero
Que a noite caísse
Nenhuma palavra
Foi hoje diferente
Do que já se disse
E há qualquer coisa a nascer
Bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer
Qualquer outro fim


Não quero levar o que dei
Talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar
Um pouco de céu
Um pouco de céu"

Mafalda Veiga - Um Pouco de Céu







Esta foi a música que ouvi ontem e me marcou o dia...

Duas colegas de trabalho, duas amigas a falarem de despedidas. E esta foi a música que a que fica dedicou à que vai embora... Porque vai embora por não conseguir conciliar um trabalho que gosta de fazer, no qual não é valorizada com a continuação de estudos no qual pretende ser especialista em algo no qual lhe permitirão trabalhar...



Porque embora a segunda parte melhor da minha semana seja o momento em que estou a trabalhar... no local onde trabalho, cada vez mais vejo desânimo e desmotivação...



Tem dias em que só preciso de um pouco mais de céu...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Home Sweet Home

Nesta cidade cinta uma solidão inexplicável…. Por muito que esteja rodeada de pessoas, por muito que haja onde ir, visitar e conhecer, sinto-me completamente só e desamparada. Ao ponto, para cúmulo de ficar com lágrimas nos olhos por ouvir um grupo qualquer num shopping tocar concertinas e cantar “Sou do Minho, sou do Minho, de Viana natural”.

Todas as semanas, ao sair de casa e entrar no autocarro sinto o coração ficar cada vez mais apertado. A cada quilómetro que me afasto parece que se torna cada vez mais pequeno, cada vez mais apertado. E assim tem ficado até à hora em que no horrizonte começo a ver os pontos de luz que me são tão familiares, que me fazem sentir na minha cidade, na minha casa.

Já passaram mais de 6 meses e, ao contrário do que alguma vez pensei, esta sensação de coração apertado não tem diminuído, mantém-se a mesma ou maior do que no primeiro mês.


Dizem-me que esta experiência me fez bem, que precisava sair de “debaixo da saia da mãe”… e eu sei que sim, concordo com algumas coisas… Mas por muito que me digam que é uma boa experiência, não deixa de me fazer sentir de coração apertado.


Porque para mim, o que me faz realmente falta é entrar numa casa que sinto como minha, olhar pela janela do meu quarto e sentir-me rodeada por uma paisagem que me é familiar, mais calma do que as barulhentas ruas e céu de Lisboa…







O que me faz sentir bem é entrar numa casa, onde ouço vozes de outras pessoas, da minha família.

Por muito que haja dias em que gostava de estar numa casa sossegada, são mais os dias em que preferia entrar numa casa cheia de gente, de barulho, de gargalhadas do meu pequeno, dos gritos de discussão dos mais novos ou do barafustar de alguém por não saber de alguma coisa sua, que provavelmente os mais novos pegaram.

Isto sim, eu sinto como o meu lar.
O meu lar não é a casa onde passo os 5 dias da semana entre casa e o trabalho.

O meu lar é este:
…numa cidade mais pequena mas bem reconfortante e bonita
…numa aldeia com mais vida do que algumas cidades
…numa casa sempre com gente e barulho, onde nem sempre posso estar sossegada ou fazer aquilo que bem me apetecia, acabando muitas vezes a televisão ficar por conta do “meu pequeno”, a sala desarrumada com os seus brinquedos, as coisas da minha prima espalhadas pela casa, uma mesa com, pelo menos, 4 pessoas e um quarto que não é apenas meu…





Isto é minha casa, o meu lar, o meu porto seguro.