Já passaram 9 anos... E a cada ano que passa, aumenta o medo de que o tempo me faça esquecer um bocadinho mais de ti... E eu não quero... Queria ser capaz de me lembrar de ti, como se tivesse estado contigo ontem. Queria ser capaz de me lembrar de todos os pormenores, das mais pequenas coisas...
Lembro-me...
...das tardes frias de Domingo passadas ao lado do fogão de lenha
...das tardes quentes de volta das espigas e do milho
...do teu ar zangado por pisarmos a erva e espalharmos a palha
...de me trazeres pão com chocolate para o lanche com um sorriso cúmplice
...de me ajudares a curar e esconder a ferida que fiz na primeira vez que caí de bicicleta
...do teu sorriso quando estavas rodeada pelos netos
...da mulher trabalhadora que foste até aos últimos dias
...da força e da fé que tinhas
...das tuas mãos quentes
O quarto continua a ser o quarto da avó, a casa da avó... Continuas presente, principalmente nestas alturas, nos dias em que nos reunimos na tua casa e permaneces na memória de todos.